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Geada em Salinas abre a temporada do frio europeu em Nova Friburgo

Quem acordou cedo no distrito de Salinas, nos últimos dias, encontrou um espetáculo que poucos lugares do Brasil conseguem oferecer: o chão coberto de uma fina camada branca, as folhas cristalizadas pela geada e o ar tão cortante que o bafo virava névoa na frente do rosto. A primeira geada da temporada chegou à região, marcando oficialmente a entrada do inverno mais aguardado por moradores e turistas de toda a Serra Verde Imperial.

Salinas, distrito de Nova Friburgo localizado nas proximidades do Parque Estadual dos Três Picos, é um dos pontos mais altos e frios do estado do Rio de Janeiro. Com altitude elevada e vegetação densa de Mata Atlântica, o lugar reúne condições perfeitas para as geadas que, ano após ano, encantam quem chega até lá disposto a trocar o calor do litoral pelo frio europeu que define a identidade da cidade.

E quando o termômetro despenca por aqui, Nova Friburgo vira outro mundo. Os restaurantes acendem suas lareiras ainda antes do almoço. O cheiro de fondue, de sopa e de pão quentinho escapa pelas janelas. Uma taça de vinho tinto deixa de ser luxo e passa a ser necessidade básica — pelo menos é o que dizem, bem-humorados, os turistas que lotam as pousadas da região nesta época do ano.

Não é exagero dizer que o frio é um dos maiores atrativos turísticos da cidade. Fundada por imigrantes suíços e alemães no século XIX, Nova Friburgo carrega no DNA essa vocação para o clima frio e para a cultura europeia que tanto chama atenção de quem vem de fora. A arquitetura enxaimel, os jardins floridos mesmo no inverno e a gastronomia recheada de influências europeias completam o cenário que faz o visitante sentir que está, por alguns dias, em outro continente.

Os proprietários de pousadas e restaurantes já percebem o movimento crescer. As reservas para os próximos fins de semana estão quase todas preenchidas, segundo relatos de donos de estabelecimentos no centro e nos distritos. A procura por experiências gastronômicas diferenciadas — como jantares à luz de velas com lareira acesa, degustações de vinhos e cafés da manhã reforçados com frios e pães artesanais — aumenta consideravelmente quando as temperaturas despencam.

Para quem mora em Nova Friburgo, o frio tem dois lados. De um ponto de vista, aquece a economia local e enche de vida os estabelecimentos que dependem do turismo para faturar. Do outro, exige cuidados com a saúde, especialmente das crianças e dos idosos, mais vulneráveis às doenças respiratórias comuns nesta época do ano. A orientação é agasalhar bem, manter a casa ventilada durante as horas mais quentes do dia e não descuidar da hidratação, mesmo sem sentir sede.

Mas que ninguém se engane: mesmo com esses cuidados necessários, o frio friburguense tem um charme difícil de resistir. A geada de Salinas foi só o primeiro sinal. O inverno promete ser longo, bonito e gelado — do jeito que Nova Friburgo sabe fazer. E quem ainda não planejou uma escapada para cá, talvez seja a hora de reservar aquela pousada com lareira e separar uma boa garrafa de vinho.

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